06.30.08

ProUni tem mais de 46 mil bolsas ociosas

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Uma das principais vitrines da política educacional do governo Lula, o ProUni (Programa Universidade para Todos) amarga uma sobra de 46.623 bolsas oferecidas, o correspondente a 39,2% do total.

O programa permite que alunos carentes estudem em instituições de ensino superior privadas com bolsa integral ou parcial (de 25% ou 50%).

Em troca, as universidades ganham isenção de tributos. Se elas tiverem dívidas com a União, podem parcelá-las em até dez anos a juros da taxa Selic (12,75% ao ano), menores do que as de um banco privado.

No último processo seletivo do programa, para o segundo semestre de 2008, foram oferecidas 118.871 bolsas, mas apenas 72.248 candidatos foram pré-selecionados. Eles tiraram a nota mínima do Enem para pleitear uma bolsa (45 pontos), mas, para obter a vaga, terão de comprovar renda familiar per capita menor do que três salários mínimos. Ou seja, as vagas ociosas podem aumentar.

Quase todas as bolsas não utilizadas são parciais (94%). Boa parte (45%) é de ensino à distância –”modalidade que requer recursos tecnológicos que, muitas vezes, os candidatos a bolsa não possuem, como computador, acesso à internet em banda larga e possibilidade de deslocamentos periódicos aos pólos [presenciais]“, afirma o Ministério da Educação, ao justificar a sobra.

A maior parte das bolsas, integrais ou parciais, não-preenchidas (88%) são aquelas que as instituições oferecem a mais do que o número exigido pela lei – uma bolsa para cada 10,7 estudantes pagantes. Essas não têm impacto sobre o cálculo da isenção de tributos.

Se forem considerados os cursos, a sobra de bolsas se concentra em administração (12%), ciências contábeis (9%), pedagogia (9%), turismo (7%) e economia (6%). Essas áreas tiveram também o maior número de bolsas oferecidas.

O percentual de bolsas não-preenchidas neste ano é similar ao verificado em 2007. A proporção de bolsas ociosas foi de 33% no primeiro semestre do ano passado –em maio de 2007, os números parciais divulgados pela Folha já indicavam uma sobra de 10,6% das vagas– e de 40% no segundo. Em 2008, foi de 29% no primeiro semestre e, no segundo, no mínimo de 39%.

Medidas e críticas

Os novos números mostram o insucesso de medidas anunciadas em 2007 para estimular e facilitar as adesões ao programa. Entre elas, o aumento do prazo de pagamento, de uma vez e meia o tempo de duração do curso para o dobro de tempo – antes, um curso de quatro anos era pago em seis anos e agora pode ser quitado em oito.

Especialistas apontam como razão para a sobra de vagas a dificuldade de encontrar alunos que atendam aos dois pré-requisitos – a nota mínima no Enem e o limite de renda.

Roberto Leher, do departamento de fundamentos da educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e crítico do ProUni, diz que não houve, em paralelo com o programa, uma política para melhorar o ensino médio e reduzir a evasão dos estudantes carentes.

“A seletividade social do ensino médio não se alterou. Nos primeiros anos, o ProUni atendeu uma demanda reprimida. Agora, ela em parte foi coberta, e o numero de alunos que conclui o ensino médio dentro do nível de renda é muito baixo”, diz. “Foi alterada a porta, mas não o caminho até a porta.”

Ryon Braga, da consultoria Hoper, aponta a renda como o maior obstáculo. Segundo ele, além da bolsa, os candidatos precisam comprar livros e pagar transporte, por exemplo.

O MEC criou uma bolsa-permanência de R$ 300 mensais, mas, no primeiro semestre de 2007, apenas 4% dos selecionados foram considerados aptos a recebê-la – o critério é ter bolsa integral e estar matriculado em curso com ao menos seis horas de aula diárias.

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06.26.08

MEC pede explicação à faculdade que aprovou menina de 14 anos

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O Ministério da Educação enviou ontem notificação a uma faculdade particular de Brasília para pedir explicações sobre a aprovação no vestibular de uma estudante de 14 anos.

Aluna da oitava série do ensino fundamental de uma escola em Brasília, Enya Friede Silva dos Santos foi aprovada para o curso de biologia do UniCEUB (Centro Universitário de Brasília). O caso foi revelado pelo “Correio Braziliense”.

De acordo com a assessoria de imprensa da instituição, a garota fez o vestibular em “condição irregular”, porque não se inscreveu como “treineira” -42 candidatos nessa condição também obtiveram nota suficiente para a aprovação.

O UniCEUB informou ainda que a adolescente alcançou a pontuação mínima para passar no vestibular de biologia, mas que a concorrência do curso é baixa -0,8 candidato por vaga. De acordo com a instituição, a estudante não passaria em nenhum outro curso com mais de um candidato por vaga e não poderá se matricular.

Para a Secretaria de Educação Superior do MEC, o UniCEUB descumpriu as normas do artigo 3 da portaria n 391/2002, que estabelece que apenas alunos que estão no ensino médio ou já se formaram nessa etapa poderão se inscrever em processos seletivos.

Unip

Um caso semelhante ocorreu em março em Goiás. Com 8 anos, João Victor Portellinha foi aprovado para o curso de direito da Unip (Universidade Paulista) na capital do Estado. Nesse caso, segundo a assessoria de imprensa do ministério, a instituição alegou que não pediu documentos do garoto porque o agendamento do processo seletivo foi feito pela internet.

O MEC informou que, em caso de reincidência, a universidade estará sujeita a processo administrativo. A sanção à instituição de ensino, em último caso, pode ser o fechamento do curso.

06.23.08

Resumo de obras literárias

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São Bernardo – Graciliano Ramos

Com a publicação de São Bernardo (1934), Angústia (1936) e Vidas Secas (1938), Graciliano Ramos tornou-se, na opinião de muitos críticos, o grande ficcionista da década de 30 e um dos maiores de toda a literatura brasileira.


Tal reconhecimento resulta não apenas do fato de ele ter denunciado, de modo mais contundente que outros de sua geração, a miséria e a violência do Nordeste e da realidade brasileira, mas também do fato de ele ter sabido incorporar esse universo, com originalidade, ao próprio estilo de sua narrativa.


A prosa de Graciliano Ramos reproduz algumas qualidades do próprio universo que critica, de onde o seu estilo “seco”, “rude” e “tenso”, onde não parece haver lugar para qualquer frouxidão ou romantismo.

São Bernardo é narrado em primeira pessoa e compõe em tom confessional o retrato de Paulo Honório, um fazendeiro inculto e embrutecido, amargo e solitário que, aos 50 anos e diante de uma vida estagnada, decide escrever sua autobiografia.


Paulo tenta, a princípio, obter a ajuda de amigos que conheçam melhor a arte da escrita, mas o desentendimento quanto ao tom e ao estilo o levam a assumir a narrativa. Sua intenção não é a de compor um elogio ou um retrato favorável a si mesmo, mas a de repassar e entender a própria vida, buscando o sentido de uma existência frustrada, que se revela vazia após o suicídio de sua jovem esposa, Madalena.


De origem humilde, Paulo Honório foi um homem enérgico e empreendedor, que orientou a vida para conquistas, obtidas -como a fazenda “São Bernardo”- muitas vezes com manobras inescrupulosas. Sua trajetória de ascensão social foi a de um lutador que sobreviveu ao sertão e soube se servir de “bons negócios”. Foi também como “bom negócio” que ele viu seu casamento com Madalena, professora pobre e idealista, “mulher instruída” capaz de lhe dar um bom herdeiro.


Porém, o espírito benévolo da esposa, sempre solidária com os empregados da fazenda, choca-se frontalmente com os métodos brutais do marido, que chega a suspeitá-la de “comunista”, “subversiva” e “adúltera”. O filho que têm recebe por fim o desamor do pai.


Mais do que uma obra de denúncia social, São Bernardo é um grande romance sobre a dúvida e o ciúme, que se filia diretamente ao Dom Casmurro de Machado de Assis. Assim, deve-se ler a ruína da relação de Paulo Honório e Madalena tendo-se em mente Bentinho e Capitu. É na aproximação com a obra do mestre que se avalia melhor o gênio e os limites de Graciliano.


São Bernardo é certamente um grande romance, mas peca por possuir um narrador pouco verossímil: a consciência limitada e angustiada de Paulo Honório, que busca em vão compreender o seu drama com Madalena, não se casa bem com a escrita culta e refinada de Ramos.

06.19.08

USP cria dois cursos e oferece mais 265 vagas no vestibular

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A USP (Universidade de São Paulo) oferecerá no vestibular 2009 265 novas vagas em cursos de graduação. O Conselho Universitário aprovou, em sessão realizada em 17 de junho, a criação de dois novos cursos: Medicina Veterinária, que será ministrado na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, em Pirassununga, e o Bacharelado em Astronomia, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), em São Paulo.

O curso de Medicina Veterinária oferecerá 60 vagas, em período integral, no campus da USP em Pirassununga. Já o Bacharelado em Astronomia, também em período integral, oferecerá 15 vagas.

Esses novos cursos vêm a se incorporar aos novos cursos e à ampliação de vagas em cursos já existentes, aprovados em sessão anteriores do Conselho e que também são inéditos na tabela de vagas do Vestibular.

São eles os novos cursos de Engenharia de Biossistemas (com 60 vagas, em período integral, na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos, em Pirassununga), Educação Física (com 60 vagas, em período integral, na Escola de Educação Física de Ribeirão Preto) e Bacharelado em Estatística (com 40 vagas, em período noturno, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação, em São Carlos).

Além disso, também foram ampliadas vagas nos cursos de Engenharia de Produção Mecânica da Escola de Engenharia de São Carlos, passando de 30 para 50 vagas, em período integral, e no Bacharelado em Estatística do Instituto de Matemática e Estatística, passando de 30 para 40 vagas, em período diurno. Em contrapartida, o curso de Meteorologia, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas, teve o número de vagas diminuído em 10, passando de 40 para 30 vagas, do período integral para o período diurno.

Com os novos cursos e a ampliação de vagas em cursos já existentes, a USP passou de 10.302 vagas em 2008 para 10.557 vagas que serão oferecidas no Vestibular Fuvest 2009.

06.17.08

Resumo literário – Vidas secas

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A obra começa com a fuga de uma família da trágica seca do sertão nordestino: Fabiano, o pai, Sinhá-Vitória, a mãe, os dois filhos e a cachorra Baleia. Fabiano é um vaqueiro, homem bruto que tem enorme dificuldade em articular palavras e pensamentos, que se sente um bicho e muitas vezes age como tal, grunhindo e se portando como um selvagem. Não tem aspirações e nem esperanças, do mesmo modo como não se tolera e não tolera o mundo em que vive. Sinhá-Vitória, sua esposa, se sai melhor em seus pensamentos e diálogos, apesar de restritos. Seu sonho é uma cama de couro, como a de um homem chamado Tomás da bolandeira. Essa personagem, que nunca aparece a não ser na memória das outras personagens, é também uma espécie de herói e modelo para Fabiano: culto, detentor de sabedoria, da arte da palavra e do pensamento, por isso mesmo admirado.

O menino mais novo parece não ter nome e nem uma forma comum de se comunicar. Sua única aspiração é ser como Fabiano. Nas mesmas situações está o filho mais velho, que só quer um amigo, conformando-se com a presença da cachorra Baleia. Esta, muitas vezes, parece ter um pensamento mais linear e humano que o resto da família, portando-se não só como um bicho, mas como um ente, uma companheira que ajuda Fabiano e sua gente a suportar as péssimas condições.

A história se desenvolve com o estabelecimento da família numa fazenda e a contratação de Fabiano como vaqueiro. Este, certa ocasião, vai até a venda comprar mantimentos e se põe a beber. Aparece um policial, chamado por Fabiano de Homem Amarelo, que o chama para jogar baralho com outros. O jogo acontece e, numa desavença com o Soldado Amarelo, Fabiano acaba sendo preso, maltratado e humilhado. Aumenta sua insatisfação com o mundo, com sua própria condição de homem bruto e selvagem do campo, e o desprezo de outras pessoas, encarnadas agora na figura do Soldado Amarelo.

Solto nosso herói, a vida segue na fazenda. Sinhá-Vitória começa a desconfiar do patrão, que parece roubar nas contas de Fabiano. Este se aborrece, mas não pode fazer nada. Não entende as complicadas contas que o patrão faz, e não sabe dialogar com ele. A festa de natal na cidade só serve para aumentar o descontentamento de Fabiano e sua família com o resto do mundo. Sentem-se diferentes, inferiores, desprezados e humilhados por milhares de “patrões” e “soldados amarelos”. Baleia adoece e Fabiano e vê na árdua tarefa de sacrificá-la. Fere o pobre bicho com um tiro, mas não consegue matá-lo, já que este foge para longe. Baleia vem a falecer durante a noite, perto da casa, sonhando com um mundo cheio de lebres…

Sentindo-se cada vez mais lesado pelo patrão, Fabiano resolve argumentar contra esse, mas, sob ameaça de despejo, resolve deixar o assunto quieto, o que lhe causa uma indignação cada vez maior. Sua indignação com o mundo chega ao extremo quando encontra, na volta da venda após ter tomado alguns goles, o Soldado Amarelo, que estava perdido no mato. Fabiano percebe o seu medo e seu corpo franzino em relação ao seu, e tem a idéia de matá-lo, descontar toda a sua raiva e seu descontentamento. Sentindo-se, entretanto, fraco e impossibilitado, resolve deixar pra lá, ensinando o caminho de volta para a cidade ao soldado. Seu sentimento de revolta é agora intensificado pela impotência…

Como não bastasse, a seca atinge a fazenda e faz com que toda a família fuja novamente, só que esta vez para o sul, em busca da cidade grande, sem destino e sem esperança de vida.